Classificação de Incidentes: Como Medir o Impacto e a Severidade

A classificação estruturada de incidentes de cibersegurança é fundamental para padronizar a avaliação de gravidade nas organizações modernas. Este processo define as prioridades de resposta imediata e garante o acionamento correto dos fluxos de escalonamento. Alinhada com a Diretiva NIS2, a norma ISO/IEC 27001 e o RGPD, a triagem precisa dos alertas assume caráter obrigatório. A execução imediata deste procedimento evita atrasos que possam comprometer a resiliência corporativa. Para determinar a severidade de uma ocorrência, a equipa de segurança avalia o impacto operacional e a criticidade do ativo afetado. São também mensurados os potenciais prejuízos financeiros e os riscos para a reputação da marca. A análise pondera ainda o risco de propagação da ameaça na infraestrutura e os impactos legais associados. A identificação de dados pessoais afetados é prioritária para delimitar o escopo regulatório da crise. A metodologia adota quatro dimensões analíticas fundamentais: Impacto (afetação do negócio), Urgência (tempo de resposta), Escala (utilizadores afetados) e Sensibilidade (envolvimento de dados críticos). Com o intuito de operacionalizar estas dimensões, a organização estabelece uma matriz de classificação clara e objetiva. A tabela seguinte detalha os critérios de severidade, exemplos práticos e os respetivos tempos limite de resposta (SLAs).
| Nível de Severidade | Impacto no Negócio | Exemplos Práticos | SLA de Resposta |
| Nível 1 – Baixo | Reduzido e sem afetação crítica dos serviços. | Falso positivo, tentativa isolada de login, alerta automatizado. | Até 4 horas. |
| Nível 2 – Médio | Moderado; afeta um utilizador ou serviço não crítico. | Malware numa workstation, phishing sem comprometimento. | Até 2 horas. |
| Nível 3 – Alto | Elevado; impacto em sistemas críticos ou propagação. | Acesso não autorizado, malware com movimento lateral, fuga de credenciais. | Até 1 hora. |
| Nível 4 – Crítico | Severo; elevado impacto operacional, legal ou reputacional. | Ransomware, exfiltração de dados, indisponibilidade total, falha de backups. | Até 30 minutos. |
A aplicação prática desta matriz permite que a equipa técnica adote ações imediatas e proporcionais à gravidade identificada. A definição rigorosa de prazos assegura uma gestão de crise previsível, auditável e altamente eficiente. Os prazos estipulados funcionam como métricas de desempenho essenciais para a
monitorização contínua do plano. O cumprimento estrito destes tempos garante a minimização do raio de ação de potenciais agentes maliciosos. Paralelamente, o critério regulatório determina a reclassificação automática para Alto ou Crítico de incidentes com dados pessoais ou serviços essenciais. Esta regra de conformidade sobrepõe-se à triagem técnica inicial sempre que a integridade legal esteja em causa. Em suma, este modelo de classificação transforma dados técnicos em decisões estratégicas rápidas, mobilizando de imediato o CISO e o DPO. Trata-se de um pilar indispensável para a governação ativa e proteção de ativos críticos corporativos.

